O rigor na revisão das tarifas da conta de luz, calculada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) de quatro em quatro anos, está obrigando as distribuidoras de energia a investirem na modernização dos seus sistemas para não serem penalizadas. “As concessionárias precisam ter controle total de sua rede elétrica e de seus ativos para apresentar à Aneel na revisão tarifária. Caso haja algum desencontro de informação, a distribuidora é punida”, diz Michael Wimert, presidente Elucid, empresa que desenvolveu o E-Obras, solução técnica de gestão e gerenciamento de ativos destinado ao setor elétrico.
As distribuidoras que não comprovam os seus investimentos em infraestrutura de energia no momento da revisão tarifária podem ser penalizadas por meio de multas pela Aneel por conta do não cumprimento da norma, além de sofrerem perda de receita com a redução de suas tarifas.
O grupo de distribuição Rede Energia, por exemplo, para não sofrer penalizações, aplicou cerca de R$ 1 milhão na instalação do E-Obras. “A tecnologia serve para apoiar as concessionárias e distribuidoras no gerenciamento dos investimentos relacionados às obras específicas neste setor, agilizando processos como aprovação das verbas, licitações para contratação de empreiteiras e demais serviços terceirizados”, diz Wimert.
Vanderlei Soares, diretor de tecnologia do grupo Rede Energia, salienta que um sistema do tipo do E-Obras é essencial para o trabalho de uma distribuidora, principalmente por conta da rigidez da Aneel na revisão das tarifas. “Temos uma certa dificuldade de conciliar, por exemplo, as obras que estão ocorrendo em nossa rede com o nosso cadastro, mas o E-Obras facilita o trabalho, já que ele atende às regras da Aneel”, comenta Soares. O executivo afirma que a solução auxilia na administração da obra como um todo e contribui para contabilizar os impactos que estas obras terão na revisão tarifária por registrar passo a passo os investimentos.
A Enersul, uma das distribuidoras do Grupo Rede e que atua no Mato Grosso do Sul, antes de ser adquirida pelo grupo, teve problemas no cálculo da sua tarifa durante o último ciclo da revisão. Agora, a empresa está sendo punida por isso com multas. “Esse tipo de problema não deve mais acontecer. Isso porque o E-Obras faz a conciliação do cadastro do ativo com a parte física e contábil da empresa”, diz Soares.
O Grupo Rede controla ainda as empresas Cemat, Celpa, Celtins e outras cinco distribuidoras de menor porte que compõem a unidade operacional Rede Sul/Sudeste. “Em todas as nossas subsidiárias o E-Obras é aplicado”, diz.
Investir em período de crise
Para algumas distribuidoras de eletricidade, a quase obrigação de fazer este investimento por conta das alterações na regulamentação estipuladas pela Aneel em meio à crise financeira mundial não foi bem-vinda. “A crise e a escassez de crédito têm sido desculpas recorrentes entre as distribuidoras para não terem que olhar para isso”, comenta Wimert, da Elucid. “As concessionárias só vão perceber a importância deste investimento quando o terceiro ciclo da revisão estiver mais próximo, mas isso é um erro”, diz.
Revisão e reajuste
A cada quatro anos, a Aneel inicia um novo ciclo de revisão tarifária, prevista nos contratos de concessão das distribuidoras. Além da revisão, anualmente o órgão regulador do setor elétrico realiza o reajuste tarifário. “O conceito de revisão e reajuste aplicado pela Aneel é muito bom e transparente”, avalia Marcelo Parodi, presidente da comercializadora Comerc. Ele explica que os mecanismos aplicados pela Aneel têm o objetivo de garantir o equilíbrio das tarifas da eletricidade com base nos investimentos das empresas direcionados para a prestação dos serviços de distribuição (os chamados custos gerenciáveis) e a cobertura de despesas reconhecidas pela Aneel. “Ou seja, o consumidor é beneficiado”, completa Marcelo Parodi.
BRASÍLIA – O governo brasileiro avalia que este ano deve voltar ao campo de batalha com a Argentina, revela reportagem do Globo, nesta quinta-feira. Até pensa em ir à Organização Mundial do Comércio (OMC) para questionar as medidas antidumping aplicadas a diversos produtos brasileiros, como pneus de bicicleta, tecidos de poliéster e talheres de aço inoxidável, e ao Tribunal Arbitral do Mercosul, na tentativa de derrubar a exigência de licenças não-automáticas a itens que incluem os segmentos de linha branca, eletroeletrônico, siderúrgico e calçadista.
Esse contra-ataque só será decidido após o encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Cristina Kirchner, em 23 de março, em São Paulo. A Argentina quer colocar em prática o Mecanismo de Adaptação Competitiva (MAC), aprovado em 2006, mas ainda não regulamentado. Ele prevê alta de tarifas e cotas em caso de surto de importações. O Brasil lembra que também poderia adotar esse mecanismo.
Além disso, o governo brasileiro parece ter encontrado uma solução para contestar na OMC a cláusula “Compre América” do pacote americano , que exclui as importações de aço do Brasil em projetos de infraestrutura financiados com recursos públicos. Uma hipótese é tentar provar que a medida não trata de compras governamentais, mas de aquisições do setor privado realizadas via subsídios.
Essa discriminação, pelo Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio (Gatt), não poderia ser feita. Para o especialista Francisco Todorovi, do escritório Trench, Rossi e Watanabe, trata-se de um caminho possível.
A advogada Paula Azevedo concorda. Segundo ela, foi com essa linha que o Brasil ganhou, na OMC, uma ação contra os EUA em que questionava os subsídios aos produtores de algodão.
Fontes do governo afirmam que os estudos ainda estão no início e que é preciso observar a implementação da medida. Essa cautela será adotada pelo ministro chanceler Celso Amorim em seu encontro com a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, quarta-feira, em Washington. Um dos objetivos da reunião é preparar a visita de Lula aos EUA, em março.
Fonte: Gazeta Mercantil
Quando a Turbulência passar, os investimentos estrangeiros estarão de olho no Brasil
A entrada de investimentos estrangeiros no mercado imobiliário era pontual até três anos atrás, quando o País provou que sua economia era estável, a inflação se mostrou controlada, os juros começaram a cair e o financiamento se tornou um grande aliado da população. “O Brasil viveu uma volatilidade muito grande durante 25 anos. Nesse período, os investidores pediam hedge cambial (operação que permite que uma empresa proteja seu balanço de flutuações resultantes da variação do dólar], e as contas não fechavam por causa da variação”, conta Fábio Nogueira, consultor de investimentos da Brazilian Finance & Real Estate S.A. (BFRE).
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João Francisco Regos, sócio do escritório Trench, Rossi e Watanabe, também está otimista com o Brasil. “Se você analisar a América Latina, o México já foi muito explorado pelos Estados Unidos. Sobram o Brasil e a Colômbia, que possui um mercado bem parecido com o brasileiro.” Ele diz que seus clientes preferem não apostar na Argentina, por não acreditarem que a economia esteja realmente estabilizada. Outro país interessante é o Chile, o problema é a posição geográfica dele. No Brasil, o entrave fica com a questão legal, que ainda atrasa a assinatura de contratos. “Mas já melhorou muito”, conclui Regos.
Grupos brasileiros vêm expandindo sua atuação principalmente em mercados emergentes
Fonte: Estadão
Por Renato Cruz
A crise global, é claro, atingiu o mercado de tecnologia. A venda de computadores e de celulares se expandiu fortemente nos últimos anos no País, mas o último trimestre de 2008 já registrou uma aceleração. Apesar disso, a maturidade alcançada pela indústria durante o período de expansão tem permitido que as empresas brasileiras continuem a buscar oportunidades no exterior.
No caso da Trellis, que fabrica equipamentos de comunicação de dados, a internacionalização permitiu reduzir o impacto da desvalorização do real. A empresa criou uma subsidiária em Hong Kong para acompanhar a produção terceirizada de seus produtos na China e para vender diretamente para o cliente brasileiro. Apesar de a área de projetos estar no Brasil, a maioria dos equipamentos da Trellis é produzida por parceiros chineses.
“A crise nos pegou um pouco de calças curtas”, afirmou Cassio Spina, diretor executivo da Trellis. “Eu estava em Hong Kong para abrir a subsidiária quando o Lehman Brothers quebrou (em setembro). Pelo menos fizemos o investimento antes da mudança no câmbio.”
O escritório de Hong Kong acabou sendo importante para a Trellis quando o real começou a cair ante o dólar. A venda direta para os clientes brasileiros reduziu a cobrança de impostos em cascata, diminuindo o preço em cerca de 15%, compensando parte das perdas cambiais. A Trellis faz parte da Virtus, companhia que nasceu da fusão de oito empresas brasileiras de tecnologia no ano passado. Segundo Spina, o faturamento anual da Virtus está entre R$ 70 milhões e R$ 75 milhões, e a empresa, que ainda está sendo formada, emprega 450 pessoas.
A Spring Wireless, que desenvolve aplicações via celular para empresas, também foi para a China. A empresa abriu um escritório em Hong Kong em novembro, e mais dois, em Xangai e em Pequim, em dezembro. A Spring Wireless tem 16 escritórios internacionais, que respondem por cerca de 35% do faturamento. “Os maiores são México e Rússia”, disse Marcelo Condé, presidente da empresa.
A operação asiática da Spring Wireless recebeu investimento de US$ 7 milhões. Ela deve faturar US$ 8 milhões este ano e a previsão para 2010 é de US$ 20 milhões. Recentemente, a Spring Wireless comprou a Okto, que desenvolve serviços via celular para o mercado de consumo, e levou os serviços da empresa para o México. A Spring Wireless fatura cerca de US$ 100 milhões por ano e a Okto, R$ 60 milhões.
As empresas brasileiras de tecnologia estão indo para o exterior por motivos diversos, mas os movimentos mais recentes têm mostrado um ponto em comum: o foco em países emergentes. A Ação Informática, distribuidora brasileira de produtos de informática, foi convidada pela IBM e pela Oracle para criar uma operação na Colômbia. Ela também adquiriu uma empresa na Argentina, para atender os mercados argentino e uruguaio. “Muita coisa que a gente faz aqui e parece ?carne de vaca? pode ser exportado”, afirmou Enio Issa, presidente da Ação Informática. Ele citou como exemplo agregar serviços à distribuição de produtos, que é uma tendência nova em outros países da região.
O faturamento da Ação Informática atingiu R$ 322 milhões no ano passado, com previsão de crescimento de 40% este ano. A empresa estuda a possibilidade de abrir um escritório no Peru ainda neste trimestre. A empresa planeja investir cerca de US$ 20 milhões na aquisição de empresas na América Latina até 2012, com operações no Cone Sul (Argentina, Uruguai, Chile e Paraguai), Região Andina (Colômbia, Peru e Venezuela) e América Central (México e Caribe).











































