Fonte: IstoÉ Dinheiro
As histórias de homens de negócio que usaram ousadia e inovação para construir, a partir do zero, grupos empresariais milionários
O BRASIL SEMPRE FOI considerado a terra das oportunidades. Mas décadas de inflação estratosférica, planos econômicos mirabolantes e fracassados, trocas de moeda, câmbio descontrolado, entre outras mazelas, derrubavam o ímpeto empreendedor de qualquer sujeito. A partir de julho de 1994, esse cenário começou a mudar. A estabilidade, duramente forjada num caminho tortuoso, começou a criar as condições para que profissionais ousados e criativos construíssem! a partir do zero, negócios milionários. A estabilidade da moeda, o crescimento da economia, o aumento do nível de emprego e a melhoria na renda trouxeram à tona oportunidades que hibernavam sob o peso da desconfiança no futuro. I Durante toda a década de 80 I e parte da de 90, o empresário Sebastião Bonfim Filho viveu do comércio de uma loja de artigos esportivos em Minas Gerais. Nos últimos anos, transformou o pequeno ponto de venda na Centauro, uma rede de 125 lojas espalhadas pelo Brasil, que, juntas, faturam quase R$ 1 bilhão. “Os talentos brasileiros eram canalizados para driblar a inflação.
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Uma idéia que correu o mundo
Em 1987, quando ainda predominavam máquinas de escrever e arquivos de aço, o gaúcho Enio Issa, aos 39 anos, decidiu montar uma pequena empresa de distribuição de equipamentos de informática. A modesta iniciativa tomou grandes proporções cerca de dez anos depois. O cenário de estabilidade econômica e crescimento do mercado de tecnologia criou o ambiente ideal para transformar a pequena empresa em uma gigante do setor. A Ação Informática tornou-se uma das principais distribuidoras IBM, Oracle, EMC, F-Secure, Extreme, Vwware, RedHat e Novell. Neste ano, deve faturar R$ 500 milhões, um grande salto em relação aos R$ 312 milhões de 2008. Até aqui, esta seria apenas mais uma história de sucesso no universo corporativo. Mas o capítulo principal, que fez Enio Issa se destacar na multidão, está na sua estratégia diante da concorrência.
Para dar um passo à frente dos rivais, ele lançou em 2005 um conceito inédito no setor de distribuição de informática, o de oferecer soluções em TI e locações de equipamentos. A proposta agradou a clientes e fornecedores, o lucro disparou 51% e abriu as portas para a conquista do mercado internacional. “Esse foi o nosso pulo do gato. Lançamos uma idéia tão inovadora que recebemos convites para atuar no mercado global. Foi nosso cartão de visita”, disse o empresário, que adquiriu empresas no Exterior e passou a atuar forte em mercados como Colômbia, Uruguai e Argentina. “O próximo
passo, ainda este ano, é o México.” Mas os próximos passos não se limitam ao México. Ao superar o faturamento de R$ 500 milhões neste ano, a Ação Informática mergulhará no mercado financeiro. A companhia se prepara para um IPO assim que o crise internacional estiver domada. “É um caminho natural”, resumiu Issa. Um caminho que faz sentido. Se a Ação Informática mantiver o atual ritmo de crescimento em meio à crise -, o faturamento atingirá R$ 2 bilhões daqui a três anos. “Nunca estivemos tão preparados para isso.” (HC)
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